----[ OPERA GRAPHICA// A EDITORA
NASCE UMA EDITORA
Era época do Plano Cruzado e uma semente estava sendo jogada num solo estéril na
calçada da Alameda Lorena, esquina com a Rua Bela Cintra, na região dos Jardins,
em São Paulo. As condições para que tal semente germinasse não eram propícias e
tudo indicava que ela não vingaria. O tempo foi passando e o cultivo cheio de
carinho e perseverança acabou por produzir resultados. A pequena semente, uma
banca de jornais de 4 m2, começou a encantar, influenciar e até a ditar moda.
Logo, era um ponto de encontro de colecionadores, jornalistas e artistas.
A semente germinou, cresceu e criou raízes, se tornando uma árvore frondosa e
frutífera. O espaço que ocupava foi se ampliando, até que a calçada não a
comportava mais.
Depois de uma longa procura, se apresentou uma oportunidade para que a banca
fosse ocupar uma modesta loja na Alameda Jaú nº 1998, já com o nome Comix Book
Shop. Nesse meio tempo, o convívio constante de seu proprietário, Carlos Mann,
com artistas, jornalistas e estudiosos rendeu frutos em forma de fanzines e, em
pouco tempo, surgiram as primeiras edições do estúdio de produção editorial
Opera Graphica, que ajudaram a consolidar a Comix Book Shop e, em meados de
1996, proporcionaram a realização da Brasilian Heavy Metal, a maior
edição de histórias em quadrinhos brasileiras até então, em volume de autores e
quantidade de páginas, comemorando os 10 anos da Comix.
As adversidades enfrentadas deixaram marcas profundas naquela árvore. Porém, ao
invés de destruí-la, fizeram com que se fortalecesse, se enraizasse,
preparando-a para todos os frutos que ainda viria a dar.
Uma florada inconstante e involuntária de produções esporádicas de quadrinhos
nacionais e uma outra semente da primeira árvore, o Estúdio Opera Graphica,
inicia seu desabrochar.
E de um para quatro produtos por mês, de quatro para sete, de sete para oito,
dez, 15, 20, 30, 40... e sabe-se lá até onde vai. Sua força criadora ainda está
longe de se exaurir — os galhos desta outra árvore ainda não encontraram seu
limite.
Nesse meio tempo, aconteceu o reencontro do seu cultivador Carlos Mann com
Franco de Rosa, uma lenda do quadrinho brasileiro, presente nos principais
ciclos dos quadrinhos no Brasil nos últimos tempos. Editor, entre milhares de
coisas, do primeiro fanzine a ser lançado, com essa denominação, no Brasil. Daí
para que a afinidade entre ambos se transformasse em editora foi uma questão de
tempo. A intenção era modesta. Publicar trabalhos de alguns autores brasileiros
que não encontravam espaço para sua produção e publicar títulos que, sem o apelo
comercial, não encontravam viabilidade nas prateleiras de livrarias e bancas
brasileiras.
Desde o início, acreditaram que fortalecer o mercado de quadrinhos passaria pelo
fortalecimento dos pontos de venda, pela diversificação de gêneros e pelo
cultivo de novos leitores. Não cultivaram somente os frutos mais palatáveis, mas
produziram frutos com texturas e sabores os mais diversificados. Esperando,
assim, que o leitor se dê o direito de experimentar coisas novas. Esta árvore nasceu e cresceu para provocar sensações e alimentar o espírito do
homem.